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3.11.18


Cresci no meio da cozinha da minha avó, das receitas desenrascadas sem tempo e da regra “ vamos ver o que há aqui e inventar “ da minha mãe, das rainhas compotas da minha tia Té, o bolo da mãe daquela amiga, o leite creme daquela tia ....
Cresci com o cheiro da cevada de manhãzinha, o cheiro do estrujido que aparecia pelas 11h ( não iam as coisas ser maravilhosas com o tempo carinhoso que ela lhes dava!! ) o cheiro do assado aos domingos ao almoço, juro que ainda o consigo sentir se fechar os olhos e voltar ali...
sempre que havia estrujido havia RESTOS PARA MIM!! A minha avó Micas cozinhava de forma tão simples que aquilo parecia uma coisa que nos é natural a todos, com uma leveza e segurança ( engraçadas estas duas palavras juntas ) enquanto tratava de todas as coisas da casa a comida ia ficando pronta, nunca lhe vi uma correria ( apanhei-lhe o tic, o de ficar triste e amuada se alguma coisa não lhe saía como ela queria 😑 😂 )
A bó dava-me sempre os “ trocinhos “ das couves, as cascas das batatas e das cenouras, feijões com buraco ( quando escolhia feijões sempre que encontrava um com bicho ( casinhas ) ficava feliz porque sabia que iam ficar para mim ) , camisas de favas e dava-me uma malga com água e dizia “ toma lá bandida, vai lá brincar “ ao dar-me duas colheres de sopa de farinha. E eu fazia, papas e mistelas e misturas várias que possam imaginar e, garanto, que molhava sempre o dedo para experimentar, mesmo quando brincava na rua e substitua todas estas coisas por terra, folhas, ervas, flores e até formigas! 
Nos verões, por exemplo, havia sempre aquilo a que podemos “ quase “ chamar de GRANDE FESTIVAL DAS AMORAS, irmãos e vizinhos iam apanhar amoras, eu e a minha irmã íamos ao Sê Juon buscar açúcar, ovos e farinha para “ pôr na conta “ sem a mãe saber e havia bolos, queques e ( chamemos-lhe assim ) “ experiências! Ficávamos todos com os dedos pretos e roupa preta e alguns com dores de barriga porque não sabiam esperar que as coisas ficassem frias mas não vou dizer nomes,Ivo e Cristiano 😅😅

Como podem ver só com este niquinho da minha história percebem que a minha relação amorosa com a cozinha nasceu quando eu nasci!
Há uns tempos decidi criar o meu caderno de receitas, com uma capa dura, linda 💐 umas flores grandes pintadas, escrevo com uma caneta fina que me deixa a letra como gosto e faço notinhas como a minha avó me dizia “ filha o segredo das rabanadas de vinho tinto é que “ O BINHO TEM DE SER MUITO BOM “ no fim ponho-lhes corações e flores ( tudo importa quando se partilha amor porque esse sem os pormenores de carinho não é amor ) total as minhas notas e invenções, receitas das minhas avós, da mãe, das tias, amigas e por aí fora.
Ontem um senhor deu-me um caderno de receitas de uma senhora, com certeza, maravilhosa com data de 1923!! Até sonhei com receitas! Quando lhe peguei e o abri , vi o meu futuro com os olhos já nervosos ( na verdade o senhor não me ia dar mas acho que ele percebeu que eu não o ia largar até ele me vender aquele diamante, ou então acho que se deixou entrar no meu entusiasmo e carinho por aquilo que ali me estava nas mãos mas claro vou lá cantar-lhe um fadinho hoje 🙃)
Fiquei feliz pela minha decisão de dedicar tempo e atenção ao meu caderno de receitas!
Gosto de pensar que um dia uma menina curiosa e armante em cozinheira vai esbarrar com o meu caderno de receitas e de olhos esbugalhados e emocionados irá pela rua fora a imaginar-me, como eu, hoje, quase consegui ver a cara desta senhora, na sua cozinha com um avental florido, o cabelo apanhado desalinhado, a família que lhe vi e a cozinha que lhe pintei. 
Então por isso obrigada menina flor por não deixares morrer o meu amor, guarda-o com carinho, estima-o, dá-o aos teus e faz também o tem caderninho!
Ps- segue muito bem a ordem das receitas, não aldrabes nem roubes as medidas ( só ao açúcar nos doces se não fores muito gulosa ) e segue, tem muita atenção às notinhas do tipo “ casca de limão, SÓ A PARTE AMARELA! “ e vai enfiando o dedo e provando e inventando e criando a teu gosto. 
💖 💫 💖 💫 💖 💫 

2.4.18

A bó Bira

Falo muito da minha bó Micas porque cresci com ela mas a minha bó Bira é também uma flor sem igual. 
Cresci com o lado paterno e via a bó Bira e o bú Lino, menos vezes. Na Páscoa vinham sempre trazer amêndoas e o bú dava-me sempre uma moeda de 50 escudos, enormes que elas eram e faziam os meus olhos ficar com estrelas! 
Mas há uma coisa que me faz sempre lembrar dela, sardinheiras! 
Mal se virava a rua para entrar na dela, ao longe, era fácil saber qual era a casa da minha bó! As mil sardinheiras na varanda! A varanda mais bonita daquela rua e uma das mais bonitas que já vi! quando o meu bú Lino partiu decidi ir viver com ela e passei a conhecer um pouco dela. Sorriso de menina para sempre, ainda hoje o tem! Um sentido de humor muito aguçado, olhos amendoados, tão amendoados que quando ri parece chinesinha, sempre a rezar enquanto fazia a vida dela, adorava contar-lhe anedotas com palavrões para a ver aflita!
“ aí valha-te o nosso senhor que vais para o inferno, bandida “ 😂 
Sonhava a ver as novelas dela e ria e falava para a televisão. 
A minha tia diz-me que quando em vê na Tv fala para mim e ri! 
Ela gostava de ouvir fados mas ela gosta mesmo, mesmo é do Julio Iglesias! 
Isso é que é! 
Sabe um monte de modinhas, teve 12 filhos e fazia os melhores bolinhos de bacalhau e bolinhos de “ girimu “ do mundo todo, mas todo mesmo! 
Hoje lembrei dela com muitas saudades porque já não lhe dou uns beijinhos ou lhe conto umas anedotas puxaditas para ela rir há muito tempo! 
Agora quando virem sardinheiras talvez se lembrem também da minha bó Bira 👵🏼♥️


10.3.18

Pão na porta

Quando era miúda deixavam o pão na porta das casas. Ao domingo era a rosca! Aí a rosca! 
Quem nunca comeu rosca com manteiga não sabe o que é bom! 
Era a Zeza padeira que trazia e ainda me lembro de ir buscar leite que vinha em sacos, a minha bó fervia e eu e ficava ali à espera para tirar a nata que amava! 
Na minha terra era assim, pão deixado na porta, portas que não se trancavame podiam até ficar encostadas. Dá-me sempre um sorriso nos lábios quando chego a uma terra e vejo algum destes sinais. Dá-me paz. 
A tranquilidade que se vive fora da cidade grande ganha-me e invejo-a. 
Lembro-me que durante a semana ia à Ana Maria ao pão e muitas vezes ela dava-me uma fatia de broa de milho, daquela bem escura, com manteiga e eu eu ia feliz aos saltinhos pela rua enquanto comia a broa e ao mesmo tempo enrolava o saco do pão que ficava todo amassado e depois a bó ralhava-me “ Oh filha já te disse que não podes andar com o saco as voltas, bandida “
Às vezes ainda saltito na rua para voltar àquele tempo ou então nem sei ao certo se não será para sentir aquela liberdade tão plena e inconsciente. 
Nós tínhamos sempre duas roscas, ou então três e era dia de festa, pedaço de rosca com manteiga e depois havia aquele truque de colar açúcar na manteiga e depois molhar no leite com cevada ou em dias mais alegres, leite com cola cao que, finos como ratos, metíamos sempre uma colher do pó adorado na boca sem a mãe ver  ( sem a mãe ver, ou então a ver que a minha mãe com a minha idade já tinha 7 filhos ou seja era uma miúda que no fundo era nossa amiga e brincava à vida connosco e mesmo a ralhar acabava sempre a rir, miúda a ver-nos felizes ) 
Aquela saca de pão na porta fez-me lembrar muita coisa, e ter a certeza que todas as minhas histórias me fazem ter a história que tenho.
Todos os dias sou grata por vir de onde venho e sempre que penso isso fico a sorrir de orgulho. 


26.1.18

Manhã cedo é bom e inspirador

Abrantes esta noite! 
Acordo sempre com vontade de comer o mundo e os outros. Acordo sempre a pensar que não vou ter tempo. Quero aprender e fazer tanta coisa! Por isso sempre que acordo, adoro que seja cedo, que possa abrir as janelas e ver a luz entrar, pôr uma música que esteja de acordo com o meu humor ou então que o venha contrariar, preciso dessa coisa que é contrariarem-me e estou constantemente a tentar contrariar-me. É um esforço, sim, mas é por nós! 
Acho romântica a imagem de andar em pijama a dançar pela casa enquanto se prepara o pequeno almoço e se prepara o banho e sinto-me vaidosa por ter a Mimi e o Feijão a observarem-me ( ele sempre uma sombra de mim na verdade, ela parada observadora ) 
Gosto dessa ideia de família, vivemos juntos, comemos juntos e cada um vai à sua vida, aos seus interesses, neste caso eu vou cantar, eles vão para o sofá e para a cama ou então ele atras dela o dia todo. Eu não sou pegajosa com eles e eles não o são comigo. 
Deixei-os, logo canto aqui em Abrantes e sei que não vou receber uma mensagens deles a mandar um ronron ou a saber como estou, mas, sei que quando me deitar de novo na minha cama eles vão lá estar comigo. 
Hoje vou cantar e vou cantar com vontade porque se a proporção do amor que tenho à vida é igual a alguma coisa, vos garanto que é ao amor que tenho por esta purga que é cantar e questionar por todos.
Até logo meus xuxus 💕 .
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#giselaapensadora #ahhcaragoquelatavainspirada #giselatirouumcisoeagorapensanavidaemmodohamster #adoroveraminhacarasemmakeup

La Javanaise

13.1.18

Poesia viva

Inverno 

Conheço pessoas que dizem que gostam do inverno, gostam do frio, de por vestes quentes e pesadas. Eu, não. 
Eu gosto do calor, de pouca roupa, sou pequena de mais para ter muita roupa em volta. 

São 9 da manhã e vamso atravessar umas quantas estradas aqui na França na zona mais fresca e sim eu gosto do Inverno e consigo, hoje, explicar porquê. 

A música de facto é algo tão sublime e maior que nós... 

As paisagens são verdes, daqueles verdes que vivem deste frio e dela, da humidade e por isso sao um verdes vida, fortes, intensos. Há casas meio desbotadas naqueles tons pastel que eu amo, delicados, elegantes, com madeiras molhadas cheias de personalidade. Há caminhos sem fim de verdes. Estes verdes!
Tenho uns phones nos ouvidos e pus a tocar “ spiegel im spiegel “ e tudo faz tanto, mas tanto, sentido.
Lembro-me do meu avô.
Hoje lembro muito o meu avô. 
Estás cores fazem-me lembrar o meu Minho. O meu início.
Lembro-me de tentar conseguir ficar só com o orvalho que ficava nas folhas de manhã e de ficar com as mãos doridas de geladas de tanto tentar. 
Lembro-me de ver da janela do meu quarto o nevoeiro a tapar a minha escola enquanto fazia corações no vidro, ainda os faço.... aquele cheiro, ai aquele cheiro de orvalho com lareiras desligadas, de fumar sem cigarros e ficar a ver o fumo imaginário sair da boca e ser uma diversão solitária. 
Sai de casa bem cedo para ir para o ciclo e ficar com os olhos em vidro do frio cortante. 
Tudo me parece romântico agora.
Caramba a vida sim é muito romântica.
São os meus olhos que talvez tenham ficado de vidro. 
Os músicos falam e desconcentram-me a escrita. Sou fácil de perder a concentração talvez pela fragilidade das coisas que me prendem a atenção. Às vezes tenho de clfazee força a cerrar os olhos para conseguir ir as imagens, aquelas! 
Faço corações na janela e olho.
Tenho vontade de chorar pela beleza disto tudo mas não me deixo se não os meninos ficam preocupados.
Às vezes vou fazendo storys no instagram que sempre fazem parte da coisa mas não fica lá tudo. Não da! Não consigo filmar isto! 
Lembro-me da minha irma Diana a esfregar as mãos e a soprar nelas. 
Lembro-me de ter a Rita ao colo a Sara na mão e a Diana a ajeitar as luvas do Cristiano e do Ivo que dizia que não tinha frio, nunca! 
Lembro que gostava de ter uma lareira.
Lembro da história da menina dos fósforos que sempre me emocionou porque tem esta coisa do inverno, tanto de lindo e delicado como de duro e impiedoso.
E as lágrimas já me correm... 
Às vezes pergunto-me, muitas vezes na verdade se as pessoas olham assim. 
Sinto-me tão viva! 
Sinto os meus sentidos todos acordados.
É uma forma de poesia física.
É poesia com vida, sei lá! 
E penso no meu avô e o quanto eu não dava para falar com ele só mais uns minutos.



30.11.17

as bolachas de aveia


Há alguns hábitos que não consigo perder.
Ao domingo,  fazer um bolinho ou umas bolachinhas para ficar para a semana toda e à noite ao ver um filme, uma serie ou uma novela, ler um livro, ter um cházinho ou um bolinho para picar e saciar aquele ratinho.

O hábito do domingo não dá para ser muito certo por causa da minha nova vida de saudades de casa, já o outro está cá sempre porque o ratito aparece sempre àquela hora ;)

No outro dia comprei umas bolachas de aveia e eram super boas!
Fiquei a rir sozinha porque me lembro bem do dia em que, na escola primaria, discuti com uma amiguinha pelas bolachas de aveia!
Ela só queria bolachas de baunilha e eu garantia com toda a minha certeza ( de nada ) que as de aveia faziam bem !
Sempre tive a sensação que a aveia era boa e recomfortante, talvez pelas papas que lá por casa se faziam também...

Enquanto traçava umas dessas bolachas pensei que nunca tinha feito bolachas de aveia!!

COMO NÃO?!

Fui à net ( super amiga de quem gosta de cozinhar )

Encontrei montes de receitas mas meti na cabeça que queria umas sem farinha... um amigo enviou-me uma receita que me pareceu bem gostosa, fiz o teste...

Adorei!

Na primeira fornada, deixei ficar mais douradas...
Na segunda, menos...
Na terceira, menos ainda!!
Ficaram uma delicia e agora vou aprumando a receita e pondo mais ao meu gosto!
 ( ex. da próxima vez vou juntar avelãs no lugar das nozes )

Gosto de as petiscar à noite, no meu velho hábito e de manhã, porque sei que a aveia é fixe para o ratinho não aparecer tão rápido :)
maravilha para levar embrulhadinhas num paninho para lanchar, maravilha para pic nic, maravilha para festas e para presente! 

Em 30 minutos está tudo feito, no caso de seguirem estas quantidades.

Espero que gostem e eu não tenho filhos, mas pelo interesse do Feijão e da Mimi, deve ser super nice cool fazer isto com os putos a ajudar

Bolachas de aveia com pepitas de chocolate

 ➹  meio copo de manteiga sem sal ( confesso que uso sempre Vaqueiro por ser 100% vegetal e por ser cheia de memórias para mim )
➹   1 copo de manteiga de amendoim
➹   meio copo de açucar granulado branco ( normal )
➹   meio como açucar amarelo
➹   2 ovos grandinhos
➹   1 colher de chá de baunilha
➹   3 copos de aveia
➹   1 colher de chá e meia de fermento em pó
➹   meio copo de nozes picadas ( eu pessoalmente gosto de as partir grosseiramente )
➹   1 copo de pepitas de chocolate ( confesso que usei 2 copos e percebi que se em vez de pepitas partirmos pedaçosos maiores que as pepitas, fica bem mais fixe )

1 - aquecer o forno nos 175º / 180º

2 - numa malguinha bater a manteiga com a manteiga de amendoim, o açucar branco e o amarelo até ficar cremoso ( atenção!para bater, usar as varas demexer massas do robot, na dúvida, são aquelas que quase nunca se usam 😂  )
juntar então os ovos e a baunilha e bater até ficar tudo bem misturadinho
juntar a aveia e o fermento e bater bem devagar até ficar bem envolvido.juntar então as nozes e as pepitas de chocolate

3 - fazer as bolachinhas a gosto...
   com uma colher de sopa deitar uma bola no papel vegetal com que cobrimos o tabuleiro e espalmar     c a mão, fazer umas mais pequenas.... eu fui experimentando tamanhos diferentes e tenho dois             tamanhos preferidos, as grandes que ficam do tamanho da minha mão, ou as mais pequenitas que         ficam do tamanho de uma bolacha normal

4 - no forno por 10/12 minutos ou ate dourarem, deixar arrefecer no papel vegetal aí uns 5 minutos e depois mudar para um lugar onde elas possam arrefecer por completo sem estarem fechadas.

Espero que gostem e que tenham tanto prazer como eu em faze-las acontecer e óbvio a traçar tudo depois
💛







quando estou no palco


- Gisela em que pensas quando estás no palco?
- Humm.... em tanta coisa!
  ...as fotos da Estelle Valente e do Nuno Carvalho mostram sempre bem, tudo!

7.11.17

É assim que eu fico! 
Fico assim ao ver as mensagens, os telefonemas que não consegui atender, quando me cantaram os parabéns, quando me abraçam quente, quando sinto todo o carinho e cuidado que me dão! 
Obrigada do fundo deste meu coração de batata frita que saltita .